Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
MS

Há 100 anos, pandemia de gripe espanhola chegou às aldeias e matou indígenas em MS

Na época, questão de saúde nas aldeias foi negligenciada pelas autoridades públicas

Publicada em 16/09/20 às 09:23h

por Vida Nova FM


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Foto ilustrativa: Divulgação/TV Senado  (Foto: )

Há cerca de um século, os moradores de Mato Grosso do Sul (na época ainda Mato Grosso) enfrentaram uma pandemia de gripe espanhola. A doença fez centenas de mortos no estado e, assim como a pandemia de coronavírus, deixou sequelas nas comunidades indígenas. Documentos da época mostram que os indígenas não tinham assistência nas aldeias de MS

Em artigo publicado na revista Visa Em Debate, a pesquisadora Manuela Areias Costa, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), mostrou as semelhanças entre as pandemias de gripe espanhola e Covid-19 no Estado. Ela cita que não existem dados oficiais que apontem o número de indígenas que perderam a vida em razão da epidemia em 1918.

“Nota-se uma invisibilidade sobre o alastramento da doença em seus territórios, pois essa questão foi negligenciada pelas autoridades públicas e os meios de comunicação da época”. 

Documentos da época mostram que os povos indígenas reivindicavam políticas públicas para combate à pandemia, mesmo naquela época. Em novembro de 1918, o jornal O Matto Grosso publicou uma nota com as reivindicações das comunidades. 

Na pandemia de coronavírus, a história se repete: indígenas continuam pedindo a atenção das autoridades, diante do alto número de mortes nas aldeias. Em Mato Grosso do Sul, 3,3 mil indígenas já foram infectados pelo coronavírus e 68 morreram. 

A cidade com mais casos entre indígenas é Aquidauana, com 21 mortes nas comunidades. No mês passado, lideranças nas aldeias chamaram a atenção para o descaso com as saúde dos indígenas. Com poucos médicos nas comunidades, os voluntários do programa Médicos Sem Fronteiras chegaram a ser proibidos de atuarem nas aldeias.

“Nota-se uma ausência de políticas públicas e invisibilidade sobre o alastramento da doença em territórios tradicionais. A pandemia de coronavírus escancara a desigualdade social no país e, por meio desta, encontra as condições ideais para atingir as populações historicamente menos favorecidas”, afirma a pesquisadora da UEMS.




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